Há um tempo notei que não consigo mais colocar o braço nas costas, notei que não deito mais no chão, muito menos ando de pés descalços. Notei que estou muito preocupada com o meu Cabelo, em não despentiá-lo, e que não o deixo solto de forma alguma. Não observo mais as formigas. Não me sento a olhar a Lua por minutos a fio, nem as estrelas. Não converso mais com Pand, minha Rottweiler... Não digo mais "Bom Dia" ao Sol quando acordo, não danço mais sozinha no meu quarto. Não grito quando eu quero, nem fujo quando quero, sorrio sem querer. Me preocupo, me cobro, em Ser quem tenho que Ser me perdendo em quereres, no real sentido de Ser. Me confundo. Sou regrada de horários, o tempo é cada vez mais curto e as atividades cada vez mais numerosas. Meu corpo pede por Descanço. Me questiono para onde estou indo, onde estão me levando, onde chegarei e principalmente como chegarei, como serei. Serei eu uma figura sistemática-cultural-padronizada que nunca apreciei? Vejo mais em mim do que o limite social impôs aos olhos dos que ainda enxergam. kkk²
E aí que encontro meu Conflito: não acho o espaço para respirar os ares que manterão viva essa minha crença. E do fundo do meu coração, não quero que ela morra. Meu caminho eu sei que está certo, mas temo que meus planos utópicos-arquitetados sejam Engolidos. Sou idealista, idealizo. Se eu fosse música seria R&B, seria Rap, seria Jazz. Se eu fosse praias seria o Mar. Se eu fosse o céu seria a Lua. Se eu fosse a arte seria a Fotografia, concerteza seria. Se eu fosse a filosofia seria Sócrates. Se eu fosse um romance seria Romeo e Julieta. Se eu fosse corpo seria a Dança. Mas sendo Mulher, eu sou Coração. Eu sou impulsão. Eu sou Emoção. Sou desejo, sou ideais. Sou o medo de perder tudo pelo qual hoje eu escrevo; o medo de esquecer ou Ignorar tudo que hoje eu digo ser e tudo que um dia eu já fui (...)