quinta-feira, 18 de março de 2010




ABREU, Caio Fernando.


Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para falar, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como, "eu estou aqui, eu te toco também".
Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo.Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã...