sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

E S P E R A...






Eu ouço vozes o tempo todo, vozes que gritam ao ponto de eu não conseguir ouvir, vozes que me perturbam a ponto de eu não conseguir dormir. Algumas dizem da beltrana que traiu fulano com cicrana. Outras falam sobre o irmão que espancou o outro até a morte por inveja. Tem aquelas ainda que só falam coisas bonitas mas agem de maneira podre e hipócrita. No meio de toda essa confusão eu me encontro sozinha e perdida observando tudo de longe. Sem um pingo de vontade de viver, sem um pingo de força pra acreditar no amor, na mudança. De repente eu me vejo carregando o peso do mundo em minhas costas, como se fosse uma bomba relógio que sem eu perceber ainda vai me fazer explodir de tanto ódio que tenta gerar em mim. Eu não quero ouvir essas vozes, por um instante eu queria sair dessa bagunça que acontece, desligar minha tevê, abandonar o jornal, não conversar com a vizinha, faltar do trabalho e correr para um lugar deserto, cheio de plantas e animais e ficar surda por alguns instantes, surda para o resto do mundo e apenas me ouvir, tentar algum meio para acreditar nessa vida, pra acreditar no amor. Mas enquanto eu não consigo isso eu espero que as pessoas estejam errada, que isso que acontece conosco não seja a vida, porque se for eu prefiro esperar pra morrer ao invés de me juntar a essa sujeira toda, é, enquanto o mundo se destrói com o presente chamado vida eu vou ficar aqui de longe, esperando a bomba relógio explodir, esperando pra morrer.