" As horas às vezes, têm isto. Esta coisa. Esta coisa que me escapa por entre os dedos. E eu sei que é nos dedos que nascem as minhas definições, e que é nos meus dedos que as minhas intuições se tornam precisas, e de névoa se transformam em caminhos a seguir, em rotas e rumos de vida.
Mas existem horas, em que só a névoa se infiltra por entre os dedos, por entre os ossos, como um viajante furtivo nas minhas veias, no meu sangue. São as horas em que não sei o que te dizer. São as horas em que paro, e te quero dizer isto: amo-te. Conta comigo sempre. Estou e estarei sempre aqui. E tudo farei para estar mais perto, para te dar a felicidade que tenho guardado, no meu coração, com o teu nome.
Mas há horas em que nada disto sai. Há horas em que o silêncio é um apedra na minha garganta, ou uma pedra nos teus ouvido. E eu preciso que saibas, que saibas sempre. Que saibas sempre as coisas essenciais: o amor. O amor acima de todas as coisas. Este amor, sabes? Este. Este que trago na minha vida e que és tu.
Não sei lidar com as horas cortantes. Escrevo. E paro. E peço a Deus que me oriente. E que te diga o que eu às vezes não te sei dizer. Para que o saibas sempre. A cada momento.
Não lidar com as horas que cortam as outras horas, as horas da cor e da luz. Não sei lidar com isto, meu amor. Porque às vezes, estes quilómetros são realmente demasiados. E não te posso abraçar. E não te posso adormecer. Levar-te no sono até à manhã seguinte. Não posso. E agora, faria toda a diferença- Agora que as palavras se entorpecem, porque uma névoa fria se infiltra por toda a parte, gostava de ter os gestos, e a proximidade para os executar. Executo-os aqui. Na minha sala. Como se fosse louco. Não sou louco. Amo-te. E quero proteger-te. Quero proteger-te sempre. Quero ser, todos os dias, um motivo de alegria de vida, um pensamento que te traga felicidade, alguém que torne, de alguma e de todas as formas, a tua vida um pouco melhor a cada dia. É isso que quero.
E às vezes, bato contra os muros das palavras e da distância.
E só espero que o teu olhar, ainda assim me encontre. Ainda assim, pressinta. Ainda assim compreenda que estas lágrimas são por te saber assim. E por me saber longe. Por saber que estás como estás. E por saber que sou inócuo. Por saber que os meus dedos cambaleiam em espaços vazios. Profetizando gestos que apenas a tua alma poderá intuir. "